Aparentemente destinado a contar alguns anos na vida do poeta Dylan Thomas, vivido por Matthew Rhys, Amor Extremo acaba se tornando um filme sobre o dúbio relacionamento entre as duas mulheres que fizeram parte da vida de Thomas, vividas irresistivelmente pelas belas Keira Knightley e Sienna Miller.
No início do século XX, Thomas era casado com a liberal, porém apaixonada e fiel a este sentimento, Caitlin(Miller). Dylan nutria paralelamente um sentimento por sua amiga de infância, Vera(Knightley). Os três passam a morar juntos e conviver com as carências e sentimentos do triângulo até que surge um quarto elemento, um jovem soldado que acaba se apaixonando por Vera e fazendo-a enxergar uma nova possibilidade de amor.
Salvo os momentos finais, o filme todo é destinado as duas mulheres em questão, sobretudo ao fato de ambas lidarem com o fato de serem alvo da atenção do mesmo homem e continuarem nutrindo uma pela outra um forte laço de amizade. O problema todo de Amor Extremo é a perda do foco da narrativa nos minutos iniciais, onde uma edição pouco eficiente confunde o espectador sobre o teor da obra que assiste. Seria uma biografia de Dylan Thomas? Um triângulo amoroso? Uma trama que aborda a temática da homossexualidade feminina? Um filme feminista? Um romance tradicional? Um “swing” do começo do século?
Com isso apesar das boas intenções de John Maybury e do roteiro, os personagens surgem deslocados e pouco explorados pela trama, fazendo com seus atores busquem elementos implícitos para entregarem o trabalho que entregam. De longe Sienna Miller e Keira Knightley são beneficiadas em seus trabalhos pelo roteiro explorar melhor(o que não significa que explore com a densidade esperada) as suas personagens. Se Miller brilha ao compor uma mulher extremamente liberal mas ao mesmo tempo doce e sofrida por seu amor não correspondido na mesma intensidade, Knightley interpreta dignamente uma outra que busca respostas para suas dúvidas emocionais e resiste com bravura e sensibilidade aos choques que a vida lhe dá. Além do ótimo trabalho realizado pelas duas, preciso dizer isso, ambas surgem belíssimas na tela, sobretudo Miller que, para minha infelicidade, ainda não teve o reconhecimento devido por seu trabalho como atriz, vejam Uma Garota Irresistível, por exemplo. Matthew Rhys e Cillian Murphy pouco têm a fazer diante da interpretação de suas colegas.
Apresentado de maneira apática e confusa ao público, Amor Extremo é um veículo para mostrar ao público o talento e o magnetismo das figuras de Keira Knightley e Sienna Miller em cena. É um drama que tem seus bons momentos, encontra seu eixo nos momentos finais, mas ainda assim mostra-se como uma obra de difícil assimilação e interpretação em função da indecisão do roteiro pela narrativa que procura priorizar.


