
![]()
Entre Irmãos talvez tenha estreado no momento errado ou mesmo é um filme que apesar de interessante tem seus defeitos. A dificuldade de reinserção de um soldado recém-chegado do horror de uma guerra no seio familiar, incluindo a resisitência em demonstrar afeto para com seus filhos e esposa e os graves distúrbios psiquiátricos decorrentes da experiência, é tratado igualmente aqui e em Guerra ao Terror, filme que ganhou visibilidade e a preferência da crítica neste ano. Tratando do mesmo tema, seria até covardia estabelecer um paralelo entre as duas obras, sendo que o filme de Kathryn Bigelow já fincou seu nome na história do cinema.
Portanto, guardada as devidas proporções, Entre Irmãos além de trazer esta temática envolvendo os conflitos psicológicos decorrentes da guerra, traz isto como um dos fatores determinantes para gerar um conflito entre irmãos interessados pela mesma mulher, no caso a esposa de um combatente que acaba sendo dado como morto no Afeganistão, mas que fora mantido por meses como refém, seu irmão passa a fazer-se presente na vida de sua cunhada e de suas filhas e com isso surge a possibilidade de reestruturar aquela família com a chegada deste novo elemento.
David Benioff entrega, mais uma vez, um roteiro com poucas pretensões e eficaz em seus propósitos, apesar de denunciar sua falha na lacuna que deixa em relação ao envolvimento da personagem de Natalie Portman com o irmão do protagonista vivido por Jake Gyllenhaal. A direção de Jim Sheridan apesar de conferir ritmo a trama e garantir o interesse e a compaixão do espectador com drama dos personagens, é visivelmente pálida, pouco lembrando trabalhos marcantes do cineasta como Terra de Sonhos e Em nome do Pai, tornando a narrativa de seu filme e elementos como edição e trilha sonora semelhantes a de qualquer telefilme que seja exibido sábado à noite na Rede Globo.
Apesar das falhas, Entre Irmãos tem seus grandes méritos. O longa é suave e apresenta de maneira natural a evolução de seus personagens e a dinâmica dos mesmos, o quepor si só já conquista o público. O trio central é extremamente carismático e talentoso, além do que, por mais que não seja a performance da carreira de nenhum dos três (talvez a de Maguire), as interpretações dos mesmos é comovente. Natalie Portman e Jake Gyllenhaal conquistam o público desde a primeira sequência, apesar de achar que a personagem de Portman merecia tratamento mais aprofundado do que a representação pura e simples de um interesse amoroso dos protagonistas. Tobey Maguire tem sua chance como o traumatizado combatente do Afeganistão, fazendo-nos perdoar suas conhecidas “caretas”, já que no terceiro ato o ator impressiona na dedicação em suas cenas.
Não procure em Entre Irmãos o retrato dos resquícios de uma guerra na vida privada daqueles que participam dela, deixe isso para Guerra ao Terror. Aqui, esteja ciente de que trata-se de um drama centrado em um triângulo amoroso cujo pano de fundo e a mola propulsora dos conflitos é a guerra, nada mais. O carisma e a competência de seu elenco e a fluidez da trama garantem o interesse das platéias, pena que não saiba concluir sua narrativa de maneira mais sólida.

